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Personagens

Cavalo Marinho é festa de terreiro, circular, secular e prima do Bumba meu Boi encontrado em praticamente todo o Brasil, contudo são muito distintos em diversos elementos e ainda há as diferenças imanentes entre os grupos que apresentam o mesmo espetáculo. Sendo assim será natural que hajam diferentes nomes e interpretações desses conhecimentos, o que é bem comum em toda a cultura popular. Nascido e criado na zona da mata de Pernambuco e Paraíba, esta manifestação originalmente tinha quase 80 personagens que revezavam em até oito horas de apresentação. O Cavalo Marinho ao se tornar muito popular e passar a ser contratado para eventos públicos e palcos em geral, teve que diminuir drasticamente a sua duração, forçando a dura escolha de excluir diversos personagens da narrativa. Muitos personagens se perderam no tempo e ficaram na memória dos que foram. Aqui está o que ainda é vigente, incluindo diversos que deixaram rastros e lembranças nos mestres entrevistados. Cientes das muitas variantes dramaturgicas entre os folguedos, usaremos aqui uma possivel linha temporal que una todos na ordem de apresentação e entrada na cena, já que o foco são os personagens. 

​O primeiro momento da festa é a entrada dos músicos que compõem o conhecido BANCO. Conhecidamente em todos os folguedos os musicistas usam camisas de botão muito coloridas de algodão e poliéster com temas geométricos e florais; chapéu em feltro modelo Fedora aba curta, quase sempre em composião cromática com a paleta de cores do figurino. A calça também de cores vivas e usualmente seguem lisas, sem estampas. Alguns grupos aplicam detalhes estampados nas laterais ou pontos específicos. O tecido mais usado é o oxford, que traz cores vivas e preços acessíveis.

formação do banco também tem suas variações. Isso depende muito mais da disponibilidade de musicistas do que outros fatores. Na Paraíba por exemplo, na ausência de rabequeiros já foi usado bandolim e banjo. O que não é o caso de Pernambuco que sempre teve muitos brincantes da rabeca. Por sinal este é sem dúvida um elemento fundamental que caracteriza a sonoridade do Cavalo Marinho. Acima a formação completa e ao lado a formação reduzida, contudo definitivamente não há regras para a formação do banco.

banco completo
banco simples
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              Ganzá.                 Bombo.               Pandeiro.                 Bage.              Rabeca

O banco além de tocar e cantar todas as toadas e músicas específicas de cada personagem, participam em alguns momentos dramáticos, interagindo com as figuras, tanto sentados quanto em pé entrando na roda. Sempre há um dos musicistas que puxa a toada inerente ao momento, com liberdade para o improviso e sempre atento aos comandos e apitos do capitão. 

Assim que todos os músicos se posicionam dá-se início ao festejo com o momento que é chamado de ESQUENTA. Como o nome já diz, trata-se de um preparativo para o que vem pela frente. Não há figurino e até parte da platéia pode participar. Os integrantes do Cavalo Marinho muitas vezes dançam com partes do figurino faltantes, justamente pra não ser identificado. O objetivo daqui é esquentar e avisar a todos que a brincadeira vai começar.

Esquenta

A toada solta de abertura se chama Boa Noite e tanto nesse momento quanto mais adiante forma-se uma roda e os folgazões depois de bastante passinho, começam o Tombo do mergulho (tambo do margui), onde cada um pula do seu jeito até o outro lado da roda e escolhe alguém pra puxar ao centro e fazer o mesmo. 

Esteticamente aqui atentaremos para um elemento importante: O calçado. A tradição unânime desde a década de oitenta, quando surgiu, é o tênis Rainha VL 2500, muito usado por praticantes de vôlei e futsal. Seu cabedal apresenta resistência e durabilidade, enquanto a palmilha oferece maciez durante as pisadas. O solado de borracha garante maior tração e aderência, proporcionando segurança. Este calçado é unânime e extensivamente usado em todos os personagens do Cavalo Marinho.

 

 

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Como foi dito antes, não há regras para a ordem de entrada dos personagens. Mas de uma forma majoritária o dono da festa abre o folguedo depois do esquenta. O Capitão Marinho muitas vezes chega vestindo a mesma roupa de base dos Galantes: Calça e camisa de manga longa brancas, com exceções que usam camisa vermelha ou azul; e só depois de muitos personagens, com a chegada da Galantaria, vem trajando uma gola por cima da roupa e o adereço pertinente. Algumas versões colocam o embate entre ele e um certo vaqueiro pela posse do engenho e após vencer dá-se inicio a festa, contudo comumente isso não acontece.

Capitão Marinho

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O figurino completo do Capitão, inclui por cima da base já descrita, uma gola finamente bordada, um adereço de cabeça, seu apito e um adereço de mão chamado Arco ou Guia, que serve para o Capitão Marinho conduzir a Galantaria. Começando pelo Arco, trata-se de um cabo confeccionado com mangueira aramada para deixar rijo, forrada com fitas que variam de Nº2 ao Nº5, dependendo do tamanho desejado. na ponta superior do cabo um arco completo ornado com uma franja de fitas coloridas, finalizado no centro com uma flor de tecido. Semelhante a chave de Ankh egípcia, ambos ferramentas sagradas de força.

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Arco/guia

Capitão Marinho

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Gola Godê

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Gola de frente unica e fundo

A gola que o Capitão Marinho usa, assim como os Galantes, tem claramente inspiração no Caboclo de Lança do Maracatu Rural. A base de veludo forrado com TNT ganha um rico bordado de lantejoulas Nº 8. Diferente não só no tamanho da gola que foi inspirada, não obstante o uso de espelhinhos e a possibilidade de usar o godê tradicional ou frente única, com a parte traseira em X, semelhante um avental. Permite-se deixar campos livres de bordado e usualmente os temas são formas geométricas com arabescos, estrelas, flores, corações. 

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quepe e coroa

O Capitão usa um quepe com aba posterior tipo militar, em cima da copa (corpo) um tampo que perpassa o tamanho da aba inferior, semelhante um chapéu de cabeça para baixo. Ao redor deste tampo ou aba superior, uma linda franja de contas e paetês representam a chuva, dando muita plasticidade e movimento ao adereço.

A Outra opção muito comum é a coroa. Semelhante as usadas pelos reisados, tem suas particularidades. A partir de uma larga faixa na testa, decorada com espelhos, contas e galões dourados, partem perpendicularmente quatro abas que se unem no topo. Abas feitas de papelão aramado, forradas com tecido decorados e flores de TNT aplicadas no comprimento. 

Existem versões onde neste momento do roteiro entra o Mestre Ambrósio, mas na maioria das vezes quem chega, causando a maior algazarra, são os munganguentos Mateus e Bastião, que sempre se safam das situações que aprontam, inclusive contra o Capitão que os contratou pra coordenar a festa. Personagens incríveis que só trazem risadas da platéia. Muito populares também dentro do Bumba Meu Boi, Reisado e Maracatu rural 

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Mateus e Bastião

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Acredita-se que os dois representam negros fugidos amigos. Entre o picaresco e o pitoresco, sua estética explode em cores, brilhos , texturas e uma cenicidade burlesca. Rostos morenos, pintados de preto. Tradicionalmente era usado uma uma mistura de fuligem ou carvão com alguma substância gordurosa, como azeite ou óleo de coco, todavia a maioria faz uso de tintas faciais. Fáceis de remover e mais saudáveis pra pele.    

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Nos quadris uma armação feita com palha de bananeira chamada de matulão, peça que servia de camuflagem para a fuga do cativeiro. Na mão o adereço que também é instrumento musical. Uma bexiga de boi curtida, que provoca um som grave e marca o ritmo juntamente com o banco.   O adereço de cabeça dos dois Bufões em formato cônico, também uma clara inspiração no Maracatu Rural, trata-se de um cone de papelão aramado, revestido com tecido ou materiais metálicos, recoberto com longas franjas de fitilho metalizado, conhecidos também como chicote que conferem muito brilho e movimento à peça. Os figurinos, em si parecem grandes pijamas. Sempre muito coloridos abusando de composição de estampas. A calça dos dois, normalmente curta com elástico nas barras de onde saem franjas de lã. Camisa de manga longa sempre, feitas de tecidos baratos e versáteis como chita e tactel. 

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Catirina

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No Cavalo Marinho tradicional não há mulheres brincando. A Catirina, que se chama Nina, uma personagem feminina representada por um homem é a perfeita epítome da virilidade agressiva patriarcal histórica. Casada com Mateus, mantem um caso com seu amigo Bastião e dentro da narrativa, pelo desejo natural da gravidez de comer língua de boi, corroborando a personalidade "leviana" e "caprichosa", culpabilizando a mulher pela transgressão do marido. Nesse contexto, as mulheres negras, como ela, sofriam oprimidas com as relações de poder desiguais, o que se consubstancia na forma como a personagem é tratada e representada na tradição do Cavalo Marinho. Durante a festa ela ajuda o Mateus e Bastião na coordenação e usa o Jereré, uma pequena rede de pesca cônica, para pedir dinheiro aos presentes. Seria trágico se não fosse cômico e vice versa.

Jereré

O figurino da Catirina é um vestido velho estampado de cores vibrantes ou composição de saia com alguns babados aplicados e blusa de manga curta fôfa. Quase sempre usa lenço e as vezes traz boneco de plástico na mão. A mesma mistura para pintar o rosto e deixá-lo mais escuro. 

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Mestre Ambrósio

Um dos personagens mais emblemáticos do brinquedo é o Mestre Ambrósio. Ele é o vendedor de figuras que sempre cai nas astucias do Capitão. Símbolo da diversidade, traz no seu matulão ou fortuitamante amarrados numa vara e sempre no corpo, as máscaras dos elementos humanos, animais e sobrenaturais. Cômico e charmoso interage com todos e também é um mestre de cerimônias representando a capacidade do povo de se expressar e se divertir em meio às dificuldades.. Sua indumentária é praticamente a mesma em grande parte das figuras, compartilhando inclusive máscaras, e é composta por um paletó de cores tradicionais como preto, azul marinho  e cinza por cima de uma camiseta neutra. Chapéu de palha, as vezes de couro ou feltro, ambos com aba grande, dobrada. A marcante máscara do Mestre Ambrósio é maior que as outras, fortuitamente com barba, bigode e desenhos geométricos.    

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Mestre Ambrósio

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Soldado da Gurita

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Mateus e Bastião, mesmo contratados pelo Capitão, querem acabar com a festa. Pra resolver a questão o Capitão chama o Soldado da Gurita, a figura que chega pra colocar ordem na casa e dá a autorização para o Capitão continuar. Claro que os dois folgazões malandros se safam e convencem o mestre a continuar na função. Um cinto por cima do paletó, uma espada de massaranduba, quepe militar dão a cara da figura. Alguns brinquedos usam jaquetões do exército usados no lugar do paletó.

As máscaras do Cavalo Marinho seguem um certo padrão, contudo um dos pontos estéticos que empobrecem um pouco o entendimento do enredo e seus personagens é que figuras diferentes usam a mesma máscara. O que muda são os trejeitos, musica temática, algum acessório de mão e obviamente o texto.​ Elas são confeccionadas em couro pintado com ou sem pêlo. Algumas figuras usam máscaras feitas com papel machê, rugoso e pintado, como veremos mais na frente.  

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Sem maiores motivos, só por arruaça, chega sem ser chamado, o famigerado Empata Samba. Um cabra metido a valentão gabola que chega peitando o Capitão Marinho, que fica cabreiro com as ameaças de sua enorme vara de bambu pintada e consegue cumprir assim com sua alcunha. Seguindo a mesma base de figurino da maioria das figuras, com o indefectível terno e calça, além do universal tênis Rainha. A máscara compartilhada com outras figuras deixa para o adereço de mão e sua atitude como elementos caracterizastes deste importante personagem opositor dramático da festa do Cavalo Marinho.

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Empata Samba 

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Com a pausa compulsória da brincadeira, sem dança e sem música, o capitão Marinho precisa encontrar uma saída para esta situação. Chegou a hora de aparecer uma importante figura do folguedo. Uma forte autoridade é chamada. Um cabra de chapelão e máscara alongada verticalmente chamado Mané do Baile. Assim como o anterior leva o nome autoexplicativo do que faz no enredo da trama. Portando uma espada de massaranduba, chega pra botar pra correr o Empata Samba e fazer voltar a brincadeira. Não antes de tentar também tomar a festa do Capitão, que obviamente não deixa. Segue o baile...

Mané do Baile 

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​É chegada a hora da aparição das Damas e Pastoras do brinquedo. Muitos folguedos venceram o tabu da participação feminina e chamam jovens moças para fazer estes personagens. Alguns dizem que são filhas do Capitão, o que não procede. Estão mais para afilhadas. já que nas entrelinhas fica subentendido uma certa saliência do mestre para com as mesmas, o que leva a aparição do personagem Valentão, que segue a mesma estética das figuras mais comuns, e supostamente é o pai que vem tomar satisfação com o Capitão. Elas são muito comuns nos Pastoris, Reisados e Bois. Seus figurinos ​​​são vestidinhos com saia godê acima do joelho, com camadas de babado. O corpinho é liso e as mangas são bufantes. 

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Damas e pastoras

Os adereços de cabeça das Damas e Pastorinhas são feitos de chapéus com as abas dobradas, revestidos com tecido, bordados de lantejoulas e galões. A flor de tnt na parte superior é opcional. Atras, uma enorme franja de fitas aplicadas​​​, ora de cetim nº9 ora de tnt, combinando com os arcos, que usam a mesma fita de tnt amarradas na arcada confeccionada de uma madeira chamada Japecanga, que é forte e flexível para a função. Alguns brinquedos hoje inovam e escolhem uma cor para todos os arcos.

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Chegamos agora no segundo ato da sambada. Quando começa o baile propriamente dito. para muitos considerado o ponto alto da festa por sua beleza e homenagem religiosa aos Reis do Oriente. Neste momento o capitão Marinho aparece montado no Cavalo de nome Sombrante, que tem seu pescoço e cabeça confeccionados com papel machê pintado, estrutura de madeira e arame,  crina e rabo de tecido ou lã. Há quem use apenas espuma e tecidos para fazer a estrutura e o revestimento. Uma grande saia de tecidos franzidos, estampados até chão, todavia alguns grupos usam saindo branco com temas simulando xilogravuras e o desenho das pernas do capitão no corpo do animal.

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Capitão Marinho e seu Cavalo

Este ponto alto da festa diz muito respeito ao que conhecemos como Galantaria. Como o próprio nome já diz, galante significa bonito, garboso. E é pura verdade. Diferente do capitão que pode usar a coroa, a galantaria usa o quepe e as golas seguem o mesmo estilo. Após a passagem do Marinho e seu cavalo, uma pastorinha vira primeira dama, tornando-se mulher do Capitão.

Galantaria

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A dança dos arcos é sem dúvida o momento mais bonito da festa. O arco de fitas de TNT representam a passagem, a ligação com o divino. O mestre Viu Alexandre considerava o Arco como se fosse uma figura, devido a importância e personalidade que dá ao folguedo. Sua estrutura é feita de bambu e as fitas são a amarradas uma a uma. As evoluções trazem lindos movimentos para a admiração de todos os presentes.

E de repente chega o Capitão do Mato e seu ajudante, conhecidos como Bodes. São figuras também opositoras que aparecem com o intuito de atrapalhar a festa. Empunhando suas espadas de massaranduba, soltando muitas puias contra todos, sobretudo contra o Mateus e Bastião representam mais um desafio para o Capitão Marinho. O figurino e mascara destes personagens seguem a mesma lógica dos outros semelhantes. Assim como eles a Figura Valentão, ou Barbaça, tem a mesma estética, contudo sua personalidade é sobretudo grosseira e machista.

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Capitão do mato e seu ajudante (bodes)

Segue o Baile com mais alegorias incríveis da Galantaria guiada pelo mestre Capitão Marinho. O brilho das golas e o vôo das fitas coloridas deixam todos extasiados e assim que finalizam, "pra variar", lá vem peleja. Chega esse cabra aí ao lado conhecido como Pataqueiro. Antigamente conhecido como cobrador de patacas, a moeda da época colonial. Chegou pra resolver uma bronca. Um negócio mal feito do Capitão Marinho com o próprio.  

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Pataqueiro

Pra ficar claro. Acontece que o nobre Cavalo do Capitão, um dos protagonistas da festa, chamado Sombrante, foi negociado com o Pataqueiro, que se sentiu lesado e veio cobrar uma compensação pelo prejuízo. Mais um momento de tensão e muita risada pra continuar a festa.   

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Pataqueiro

Resolvida a questão com muito jogo de cintura do Capitão segue a festa. O vendedor de figuras, o emblemático e icônico Mestre Ambrósio volta e mesmo ainda sem ter recebido nada revela novas figuras. A ordem ou se vai aparecer ou não, como já foi dito varia de folguedo pra folguedo. Cada um do seu jeitinho de fazer a folia.

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Bem raro aparecer este personagem nos brinquedos, talvez por uma questão logística e técnica. Este é o Mané Pequenino, uma ironia já que se trata de uma figura muito alta. Não confunda com outro personagem chamado Gigante, também raro. O Pequenino é feito com uma estrutura de madeira e arame encaixada no ombro do brincante. Cabeças e mãos proporcionais de papel maché pintado, palha, lã e tecido. Chega pra brincar e alegrar sobretudo as crianças presentes. 

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Dentre as figuras há animais e seres fantásticos, vários já bem conhecidos arquétipos populares. Um deles é a Ema, que chega para atacar Mateus e Bastião que roubaram seus ovos.

Lá vem a dona da Ema! A Véia do Bambu faz o que quer, pinta e borda com a cara de todo mundo. Com apetite lascivo e genérico arranca gargalhadas tentando colocar todos em cima de si. Abanado a saia e abrindo as pernas, sentindo calor e coceira, chega pra vadiar e espera pelo seu marido enquanto vira de cabeça pra baixo o terreiro.  Seu figurino é um vestido semelhante ao da Catirina ou composição de saia e blusa. Usa lenço muito estampado normalmente e sua máscara é confeccionada com papel machê pintado. As feições constroem uma impressão embrutecida dessa figura emblemática que gera uma reflexão social análoga a personagem Catita. 

Mané pequenino

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E também o enigmático Babau, conhecido em outras regiões como Jaraguá. Uma criatura afro-diaspórica que representa a alma de um animal vindo de outro mundo. Um ser psicopômpico que traz alegria na roda girando, brincando e trazendo reflexões.

Véia do Bambú

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Lá vem de longe aquela voz masculina: - Nina!! Nina!!. Este é o nome da Véia do Bambú e este homem que chama é o Mané Joaquim, marido dela que vem chegando. Abraçam-se exageradamente de forma bem sugestiva, muito mais pela vitalidade de Nina e a brincadeira continua.   

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Véia do Bambú

Mané Joaquim

O clima pesa. Incelênças vem do banco. A Morte em pessoa aparece pra buscar alguém que precisa acertar as contas. Nina, a Véia do Bambu. Será que seu comportamento fez cumprir logo sua missão? Claro que ela, gabola do jeito que é, engabela a morte e coloca Mané Joaquim no seu lugar. Um grande pano branco cobre todo folgazão que segura uma foice de madeira pintada.

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Tristes loas de canto e reposta ecoam com a chegada do Padre Capelão que vem para rezar sobre o defunto e encomendar a alma, mas não consegue mediante o assédio da Véia do Bambu. Depois de muitas estripulias, o Padre Capelão vestindo uma grande bata preta lisa, sem querer invoca o cão. O Diabo/ Cão de Fogo em pessoa aparece pra colocar ordem na situação. De certo tinha que buscar uma alma ali.   

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O Cão de Fogo chega com o calor de mil Queimadas da cana de açúcar. Assusta  as criancas desavisadas, gira em todo o terreiro. faz de tudo com sua força e cara feia. em cada mão uma tocha de fogo que auxilia no ato de cuspir fogo com querosene na boca. Sua roupa segue preta com poucos detalhes e uma máscara muito expressiva.

Morte

Padre Capelão

Cão de Fogo/Diabo

Véia do Bambu e Diabo

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Ao lado, estas figuras que provavelmente migraram de uma manifestação própria deles, muito tradicional na cidade de Pesqueira. Figuras emblemáticas inspiradas no ser fantástico que vive nas matas. Sua roupa é um paletó amarrado na cintura com mãos pendentes de papel machê e a cabeça feita de sacos de tecido, usados para transportar cereais, pintados, trazendo o efeito grotesco e disforme de uma cabeça enorme num corpo pequeno.

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O Cabôclo Arubá é um dos pilares da manifestação. O momento em que a espiritualidade e o magico se revelam. Uma pausa para reverenciar os poderes desta entidade indígena e africana. Canta lindas toadas com resposta do banco. Em transe, caminha e deita sobre cacos de vidro e revela saberes que unem mundos. Sua vestimenta, inspirada no Reamar ou Caboclo de pena do maracatu Rural, inclui gola bordada com franja de lã, saiote de tiras de tnt, e assim como muitos mascarados, usa um lenço na cabeça. O penacho que usa é confeccionado com penas de aves pequenas e bordados diversos.

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Mais animais aparecem trazendo suas lições e muita alegria aos presentes. Suas aparições nem sempre acontecem. Depende do tempo disponível da festa. Aqui ao lado o Uburu e a Onça.

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Ao lado, novamente o arquétipo da morte se apresenta através da tragicômica figura do Morto Carregando o Vivo. Este personagem fantástico carrega mil reflexões e é manipulado por um brincante que possui um boneco fixado frente ao corpo. É feito de calça e camisa preenchidos com retalhos ou espuma; com mãos e cabeça de papel machê pintado. As pernas vivas do morto com os movimentos e expressões da cabeça do vivo, criam a metáfora visual. 

Mané da Batata chega de máscara, montado numa burrinha colorida, estruturada com madeira, ferro e tecido com pescoço e cabeçêa de papel machê. Aparece dando coice em todo mundo, procurando confusão. Solta impropérios e do mesmo jeito que chega vai embora. 

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O Boi, um dos animais mais importantes do brinquedo, tradicionalmente chega na brincadeira e morre por ter a língua arrancada para satisfazer um desejo de Catirina. Depois de uma pretensa partilha, o Boi ressuscita e finaliza a festa, todavia muitos folguedos fazem diferente, sem a morte do animal, não obstante interage com o Doutor e Pacaia, quando tentam reanima-lo, ou mesmo com o Vaqueiro, Mateus e Bastião, além do Capitão que canta lindas loas para homenageá-lo. Depois disso o banco levanta e enquanto toca a roda vai se desfazendo e assim finda um dos maiores patrimônios da cultura brasileira. Viva o Cavalo Marinho !

Caiporas

Cabôclo Arubá

Urubu e Onça

Morto Carregando o Vivo

Mané da Batata

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Vaqueiro 

Doutor e Pacaia

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